• PELO PRÓPRIO FRANCISCO BARBOSA

    Sou do tempo do bonde, do tempo da lotação.
  • Do tempo das ruas de paralelepípedos.

  • Eu sou do tempo romântico, quando as pessoas andavam de mãos dadas pelas ruas da cidade às duas da manhã, sem ter medo de nada.

    Quando as pessoas se conheciam pelo nome.

    Quando se jogava bola no meio da rua e os carros paravam para você pegar a bola.

    Quando o bonde passava e parava à sua porta para te pegar.

    Quando o ônibus parava e você conhecia o motorista pelo nome e ele também te conhecia pelo nome.

    Era mesmo um tempo romântico, numa Minas Gerais fantástica !

    Onde, por eu estar na beirada que é Juiz de Fora, sofri uma influência profunda da cultura mineira e uma influência igualmente profunda da moda carioca, pela proximidade com o Rio de Janeiro.

    Tive a infância que quis.

    Muito pobre, não me faltou nada.

    Muito preso, como deveria ser na época, reverti o tempo de prisão domiciliar em leitura e audição de discos, o que fez da minha formação, uma formação bem legal!

    Eu sou mineiro de Juiz de Fora, filho de pais cearenses, Seu Francisco e Dona Lenise, sou irmão mais velho do Clóvis, Gisele, Denise e Daniele.
    Sou alguém que teve um pai severo, mas amantíssimo. Alguém que viu e vê a mãe dedicar toda a vida aos filhos e à família e hoje curte os netos que chegaram.

    Sou filho de um policial que jamais deu um único tiro, um radioamador com uma voz belíssima, que nunca quis ser locutor de rádio por não se achar capaz para a profissão.

    Sou até hoje, ou pelo menos me sinto como se fosse, aluno da Dona Marta, minha primeira professora no Instituto Metodista Grandoli.

    Sou um radialista que começou da Radio Difusora de Minas Gerais em Juiz de Fora por volta de 1973, a Difusora tinha meio quilowatt na antena, ou seja, era um serviço de alto falante melhorado... Depois fui para a Rádio Sociedade de Juiz de Fora, onde meu pai também trabalhou como técnico em eletrônica. Foi onde aprendi muito, fazendo locução comercial. Naquele tempo os comerciais não eram gravados como agora, tínhamos que faze-los ao vivo.

    Sou cidadão carioca desde 1981, quando aqui cheguei com a cara e a coragem para fazer um teste que reuniu 100 comunicadores de todo o Brasil que buscavam uma vaga na Radio Cidade. Depois de trabalhar em várias rádios FM: Del Rey, Estácio, Nacional e Globo, fui convidado, ou melhor, convocado, pelo Aroldo de Andrade, para cobrir sua férias na Globo AM.

    Sou o Tygra dos Thundercats, sabia? Bem, na verdade eu fui o Tygra, na década de 80, quando fiz também várias participações e apresentei alguns programas de televisão no SBT, na Record, na TVE, na Manchete, hoje Rede TV e na Band.

    Sou um comunicador que descobriu na Herbert Richards, trabalhando como dublador, que para comunicar não basta ter uma voz bonita, pois a voz é apenas um instrumento.

    Sou testemunha ocular do nascimento no final da década de 80, da mágica de Mauricio Menezes e Hélio Júnior no rádio.

    Da chegada da Mãe De Nada, do Seu Ramiro, do Bromário e do Tião Buscapé.

    Ai, que saudade...

    Depois de herdar o programa do meu Mestre e craque da comunicação, Paulo Giovanni, eu levei para o show da manhã o Mauricio e o Helinho. Bati muitos papos de música com meu amigo, ou melhor, meu irmão Mauro Motta nas tardes de sábado, quando além de levarmos aos ouvintes boa música, o Mauro falava como ninguém mais poderia fazê-lo, sobre artistas e composições.

    Sou amigo e fã incondicional do melhor sonoplasta que este país já viu e verá: Paulo Roberto Palácio. Profissional impecável, ser humano exemplar pelo caráter e comportamento, Paulo Palácio possui uma técnica apuradíssima baseando-se em pesquisa prévia e grande senso de organização.

    Sou hoje comunicador da Super Rádio Tupi Am do Rio de Janeiro, onde apresento de segunda à sábado de 9 ao meio dia o Programa Francisco Barbosa. Mas em minha carreira tive a honra e felicidade de trabalhar em diversas casas, entre elas Globo, Melodia e MEC, onde conheci tantos profissionais brilhantes, onde fiz tantos amigos.

    Este sou eu; o pai do Bruno, da Priscila, do Francisco, do Filipe e do Frederico, que são meu maior tesouro.

    Sou alguém que busca os caminhos de Jesus, em tudo que faz e diz.

    Sou marido na Nina Rosa, com quem me casei em 1994, minha companheira, amiga e confidente, e juntos frequentamos a Igreja de Nova Vida.

    Que Deus abençoe a todos!

    Um grande abraço do amigo,

    Francisco Barbosa

    A Sua Voz !